Cadela Satine visita crianças internadas em hospital de PG
13/04/2009
Satine, uma cadela da raça golden retriever, foi a estrela da festa de Páscoa das crianças internadas na Pediatria do Hospital Municipal Irmã Dulce. Realizada na Brinquedoteca na última quinta-feira (9), a festa contou com a presença de voluntários, acompanhantes e dos profissionais que compõem a Comissão de Humanização, incluindo o chefe da Pediatria, o médico Antonio Rua, com direito à pintura de rosto, brincadeiras e muita animação.
Dócil e receptiva, Satine, que pertence à fonoaudióloga Eliane Selma do Valle Blanco, fez sua primeira visita à Pediatria e está envolvida no projeto de pet terapia (terapia com animais). A iniciativa, que apresenta resultados positivos nos hospitais onde foi implantada, visa melhorar a evolução clínica de pacientes e deverá contar a participação do Canil da Guarda Civil Municipal.
Segundo a diretora técnica do hospital, Maria Alice Tavares da Silva, o projeto foi aprovado pela diretoria e passou pela análise do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. Como envolve seleção e treinamento de animais, entre outras ações, não foi fixado prazo para o início da prática regular, ainda este ano. “Inicialmente, a pet terapia acontece apenas em datas festivas”, informa.
Eliane explica que a pet terapia consiste em visitas semanais monitoradas de animais a crianças e adultos internados, tanto nos leitos como em outros espaços do hospital. “A presença do animal faz com que as pessoas se sintam mais relaxadas num lugar onde, às vezes, elas podem se sentir ameaçadas, ainda mais se for uma criança ou até mesmo um adulto numa situação de fragilidade”, destaca.
A terapia pode se desenvolver com outros animais, como gatos e coelhos, apesar do cão ser preferencial no envolvimento com humanos em ambiente hospitalar. “Eles ajudam a diminuir a resistência a tratamentos dolorosos e ao próprio ambiente, que pode parecer hostil. Isso acaba fomentando a recuperação física rápida, entre outros benefícios”, explica a fonoaudióloga, que pesquisa o assunto.
Em seu estudo, a técnica encontrou resultados positivos na recuperação não apenas de crianças, mas também de adultos. “Para pacientes psiquiátricos, o animal acaba atuando como um elo entre ele e o mundo”, menciona. “Temos conhecimento de trabalhos com idosos, pacientes com senilidade ou mesmo Alzheimer.”
PERFIL
Os cães serão escolhidos pelo perfil, tendo que interagir bem com humanos e aceitar ser tocados. “É um grupo fixo de animais selecionados”, prossegue a fonoaudióloga Eliane Blanco. “Além de ser de raça dócil, os cães devem ter o temperamento ideal para esse trabalho, sem serem medrosos demais, nem agressivos demais.”
Os cães para terapia devem ser saudáveis, vermifugados, sem qualquer tipo de doença (inclusive de pele) e ter a carteira de vacinação atualizada. “Quando preparados para atuar dentro do hospital, eles só não serão empacotados”, brinca Eliane. “Tomarão banho antes e receberão gel anti-séptico nas patas para visitar os pacientes.”
Satine preenche os requisitos, tem o perfil adequado, está em processo de adestramento e é higienizada antes de entrar no hospital.
A exemplo de qualquer iniciativa humanizada, os pacientes terão liberdade de escolha. “Perguntaremos se o paciente tem medo de animal e se deseja a visita”, diz. Se a resposta for positiva, a criança ou o adulto poderá apenas observar, brincar, falar e tocar no animal, já treinado para esse tipo de integração. As visitas, que não poderão ultrapassar uma hora, terão a participação de um voluntário, que pode ser o dono do animal ou alguém que tenha domínio sobre ele, e de um técnico de saúde.
Internado havia uma semana para tratar uma pneumonia, Breno Larsens Lopes, de um ano e três meses de idade, era um dos mais empolgados com Satine. Sem medo da cadela, ele a acariciava com manifestações de alegria, como palmas e sorrisos. “Achei ótimo a presença do animal no hospital porque distrai as crianças. O Breno adorou e se divertiu bastante”, opinou a avó do paciente, Traudi Larsens. “Espero que essas visitas continuem.”