Praia do Gonzaguinha e dos Milionários está desaparecendo devido ao Aquecimento Global
15/01/2009
Quem está acostumado a freqüentar as praias de São Vicente (como as do Gonzaguinha e dos Milionários), já percebeu que a maré sobe, gradativamente, a cada ano que passa. E não é surpresa para ninguém que o aquecimento global está ligado a este fato. Porém, este fenômeno de atenção mundial não é o único responsável pelo avanço das águas vicentinas. Outros fatores relacionados à interferência e falta de consciência humana contribuem, e muito, para a invasão marítima. Mas, para o alívio dos habitantes da cidade, parte das causas é de origem regional. A reversão deste quadro, portanto, é possível.
Segundo o engenheiro ambiental Eduardo Lustoza, uma das causas é o assoreamento (acúmulo de areia no fundo do mar) do estuário de São Vicente. "Com a sedimentação, que se acumula no canal de vicentino e no porto de Santos, o nível do mar aumenta", explica o engenheiro ambientalista.
Este fenômeno é agravado, por incrível que pareça, devido ao desmatamento da mata ciliar dos rios que deságuam na bacia hidrográfica de São Vicente e Santos. Este fato é visível em trechos das margens do rio Branco, que está assoreado. Nesta condição, as águas do rio correm com maior velocidade, arrastando grande volume de areia e matéria orgânica para os arredores da pontes dos Barreiros e Mar Pequeno, praias e do porto de Santos.
Este problema não é, apenas, ambiental. Trata-se de uma enorme causa social, que é associada ao crescimento urbano desordenado e ao grande volume de esgoto lançado direta e indiretamente no rio Branco e em outros rios da região. Isso acontece por causa da falta de coleta de lixo e de saneamento básico no entorno destas importantes artérias hidrográficas.
Em Praia Grande e na área continental de São Vicente, por exemplo, há locais onde todo esgoto é despejado em fossas negras ou a céu aberto. "Quando chove, todo o lixo e sedimentação são levados aos rios e, consecutivamente, à baía de São Vicente. A solução para este problema é a implantação de saneamento em toda a região, a coleta de lixo e a recuperação da mata ciliar, além de impedir novas invasões de comunidades ribeirinhas", ressalta. O engenheiro trata estes assuntos dentro do projeto Salva Selva, em parceria com a Universidade Santa Cecília (Unisanta), Sociedade Ecológica Brasileira e com patrocínio da Petrobras.
De acordo com Lustoza, o rio Branco não é o único que apresenta esta situação. Os rios Cubatão, Casqueiro, Mariana, Piaçabuçu, entre outros que compõem o complexo do estuário de São Vicente, também possuem parte da responsabilidade do possível assoreamento da baía de São Vicente e do Porto de Santos.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Defesa do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Pérsio, as áreas ribeirinhas são áreas de marinha, patrimônio da União. Por isso, não podem ser utilizadas como território urbano. Devem ser destinadas unicamente à mata ciliar.
Ele acrescenta que, por questões políticas e sociais, o governo, muitas vezes, fecha os olhos para as invasões dessas áreas; e desconsidera o efeito colateral e irreversível causado por essas construções à beira-rio.